quinta-feira, 22 de julho de 2010



Desliguei o telefone como se quisesse apagar o que estava a acontecer, todavia era impossível… As lágrimas não conseguiam cair, o sofrimento rasgara-me o coração, os pingos de sangue corriam-me pelo corpo, as facadas eram dadas a cada segundo, a realidade cegou-me os olhos, a boca fora-me cerrada com umas correntes…no fundo tudo era negro como a noite, vazio como um poço.
Nunca estamos preparados para a morte, nem nunca iremos estar. E ela é tão natural. Nada na vida é tão natural quanto a morte, e a dor é tão esmagador que não queremos aceitar. É um terramoto nas nossas vidas, como se o chão fugisse de nossos pés, um sentimento, mas não apenas de emotividade sem definição, é um sentimento de perda.
Era apenas uma menina que acreditava num mundo cor-de-rosa, que estava protegida por tudo e por todos. No entanto era uma ilusão… A realidade é fria, crua, egoísta, macabra, violenta, hipócrita, triste…
Os dias foram passando, mas a mágoa nunca diminuíra, as lágrimas começaram a cair pouco a pouco, o sufoco era notado a cada segundo. Como o mundo pode ser justo se nos roubam as pessoas que amamos?
Perder alguém é como tirar o quadro de uma moldura que continua pendurada na parede, um oceano de dor e de grito…. É perdermos um pouco de nós, é aprender do modo mais duro.
Tememos a morte porque constantemente tememos a solidão…sentindo deste jeito um vazio, o escuro, o medo…
És tu quem sempre me amou, e me dá forças para tentar sobreviver neste “mar de sargaço”.

Ao meu herói, ao meu avô…
Amo-te do fundo do meu ser.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Violência

Nasce num grito,
num olhar austero,
num levantar da mão,
numa vigilância sufocante,
numa cena de ciúmes...
Nasce, por vezes
sem darmos conta.
E embarcamos num profundo poço de injustiça,
marcas definitivas físicas e psicológicas
de egoísmo...
De mão dada lutamos
contra um muro terrivelmente forte...
Onde o carinho, o respeito, o amor
deixaram de fazer parte.
Cada vez mais a pergunta porquê surge timidamente...
Porquê? Porquê? E porquê?
No meio de tantas questões
não temos resposta
para o realmente importa...
As relações da sociedade.
Tudo isto porque
não sabemos o que é o AMOR,
nem como AMAR.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Quem sou eu?


Quem sou eu?
Eu sou única. Todos nós o somos, pelo menos nas nossas opiniões. Todos nós somos diferentes, no entanto, todos somos iguais. Ser único está restrito a um pequeno grupo de pessoas. Essas pessoas são únicas por aquilo que conseguem realizar na vida.
A vida. A vida não devia ser medida em dias, semanas, meses, nem sequer em anos, mas sim pelos feitos que nós realizamos, no tempo que temos disponível para habitar este mundo. Ninguém vai-se lembrar mais de nós apenas porque vivemos até aos 80 anos, mas sim, por aquilo que fizemos enquanto cá tivemos. Isso sim é o mais próximo da verdadeira imortalidade que alguma vez vamos chegar.
A nossa singularidade é comparável as ondas do mar. Cada onda é vista como um individual é diferente das outras. Desde da sua formação, até ao percurso realizado, onde chega à zona de rebentamento, cada onda é diferente da outra. Mas quando visto no conjunto é tudo mar. Diferentes entre elas, mas iguais nas suas curtas vidas e nos seus percursos.
E assim, é a vida das pessoas. Nascem, vivem, e morrem. Para cair no esquecimento das gerações seguintes. Únicos são aqueles que marcam as suas diferenças e não deixam que as suas memórias sejam esquecidas.
Fernando Pessoa com a sua mistura de simplicidade e complexidade acabou por marcar a sua diferença. Na realidade, confesso que admiro-o porque ele era único. Fernando Pessoa tornou-se imortal com a sua singularidade e isso é de louvar.
Isso leva-me de volta a minha questão inicial.
Quem sou eu?
Eu sou uma pessoa que tenta deixar a sua marca, mas que de certa forma ainda não foi capaz.
Quem sou eu?
Eu sou a eterna apaixonada, uma jovem sonhadora, uma lutadora feroz, no que toca aos objectivos da vida. Sou uma pessoa complexa, cheia de confiança mas ao mesmo tempo muito insegura. Tenho sonhos a realizar e tento aproveitar cada dia para o fazer. Mas confesso que na realidade nem sempre o consigo.