
Desliguei o telefone como se quisesse apagar o que estava a acontecer, todavia era impossível… As lágrimas não conseguiam cair, o sofrimento rasgara-me o coração, os pingos de sangue corriam-me pelo corpo, as facadas eram dadas a cada segundo, a realidade cegou-me os olhos, a boca fora-me cerrada com umas correntes…no fundo tudo era negro como a noite, vazio como um poço.
Nunca estamos preparados para a morte, nem nunca iremos estar. E ela é tão natural. Nada na vida é tão natural quanto a morte, e a dor é tão esmagador que não queremos aceitar. É um terramoto nas nossas vidas, como se o chão fugisse de nossos pés, um sentimento, mas não apenas de emotividade sem definição, é um sentimento de perda.
Era apenas uma menina que acreditava num mundo cor-de-rosa, que estava protegida por tudo e por todos. No entanto era uma ilusão… A realidade é fria, crua, egoísta, macabra, violenta, hipócrita, triste…
Os dias foram passando, mas a mágoa nunca diminuíra, as lágrimas começaram a cair pouco a pouco, o sufoco era notado a cada segundo. Como o mundo pode ser justo se nos roubam as pessoas que amamos?
Perder alguém é como tirar o quadro de uma moldura que continua pendurada na parede, um oceano de dor e de grito…. É perdermos um pouco de nós, é aprender do modo mais duro.
Tememos a morte porque constantemente tememos a solidão…sentindo deste jeito um vazio, o escuro, o medo…
És tu quem sempre me amou, e me dá forças para tentar sobreviver neste “mar de sargaço”.
Ao meu herói, ao meu avô…
Amo-te do fundo do meu ser.
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